Faz+ // Balanço, ou Don’t Stop Me Now

O primeiro troço do caminho do Faz+ termina aqui.

Este é o momento em que nos assumimos de vez, largamos “as saias da mãe” e deixamos de ser um projecto académico. Daqui para a frente, vamos, também nós, construir uma equipa consistente e dar tudo o que temos, passar noites sem dormir e ajudar pessoas. Porque o Faz+ é sobre isso: identifiquei um problema, e esse problema era das pessoas.

Com o decorrer do projecto, ainda na sua fase embrionária–mesmo que já “na rua”–pude ter a experiência de chegar a pessoas que se identificaram com a causa do meu projecto e me pediram ajuda. Trabalhei com essas pessoas e esse trabalho teve resultados dos quais ainda espero retorno positivo.

O Projecto Seattle–o projecto académico maior, onde o Faz+ se enquadra–é todo ele sobre o impacto que o designer pode ter na sociedade que o rodeia. Decidi seguir as palavras e passos de Bruce Mau, exemplar designer e empreendedor social, e criar um projecto que não tenta deitar abaixo o sistema político/económico em que vivemos por “ir-acampar-à-porta-de-Wall-Street-a-gritar”, mas que se senta à mesa, planeia, pensa no problema, e tenta mudar o que está mal a partir de dentro. No final, em vez de destruir o sistema actual sem alternativas, teremos um sistema completamente novo, resultado de uma mudança sólida, gradual e consistente.

Então, o primeiro troço do caminho do Faz+ termina aqui. Mas o caminho, propriamente dito, continua. Um dos nomes que o projecto teve (antes de se chamar Faz+), foi inspirado numa conhecida canção dos Queen, que agora vos deixo, como última mensagem que resume não só o que ficou comigo depois deste percurso de trabalho com o projecto, como também o que pretendo que seja o futuro do mesmo:

“Don’t stop me now
I’m having such a good time
I’m having a ball
(…)
Don’t stop me now (‘Cause I’m having a good time)
I don’t wanna stop at all.”

Mariana Fernandes

SdCV // A carta de apresentação

Existem ainda outras ferramentas, como as cartas de apresentação, que podem ser enviadas junto com os CV’s. Eis um artigo de Inês Menezes, no Guia do 1º Emprego de 2011, sobre a importância da carta de apresentação e algumas dicas para a boa construção da mesma.

A Carta de apresentação é um dos elementos mais importantes quando se envia o curriculo. É ela que vai transmitir a tua personalidade, bem como as razões que te levaram a candidatar a esse emprego. Ao escreveres a carta de apresentação deves ter presente que esta serve para personalizar a tua candidatura, valorizar o percurso profissional e, por  último, convencer os entrevistadores a marcar uma entrevista. Embora a maioria das cartas acabem por ser um resumo do CV onde os candidatos reforçam as suas competências, uma carta bem feita deve fazer a ligação entre o teu percurso profissional e as necessidades concretas da empresa.

Dicas para elaborar a carta de apresentação

Para personalizares a tua candidatura, deves incluir informação sobre:
– Porque é que a empresa te interessa.
– O que podes oferecer.
– O que a empresa e  tu podem fazer juntos.

Estas são as informações que qualquer recrutador gostaria de encontrar numa carta de motivação. No entanto, a ordem pode ser alterada, pois não existem regras definitivas. Alguns candidatos preferem começar por se apresentar, reforçando  o que já este escrito no currículo, que é uma informação bastante mais útil para o recrutador. Depois disso, é importante justificar as razões pelas quais a empresa te interessa, o que, se for bem feito, poderá tornar-se um ponto diferenciador, pois demonstra que perdeste tempo a estudar a empresa. Se a carta de apresentação se limita a repetir  o que  o currículo explica, os entrevistadores têm duas atitudes: se nem o CV nem a carta de apresentação forem muito interessantes, o mais certo é cair no esquecimento. Ou no lixo!

Dirige-te à pessoa  certa. Se não souberes o nome (embora hoje em dia esteja tudo na internet), como último recurso, endereça-a ao departamento de recursos humanos. Se estiveres a responder a um anúncio, menciona o mesmo e a função a que candidatas.

A  primeira frase é essencial para marcar a diferença. Tenta dar o teu cunho pessoal e destacares-te das centenas de currículos diários.  O tom de abertura da carta transmite a tua personalidade. Talvez possas começar assim: “Em resposta ao V. anúncio para recrutar um financeiro, penso ter as qualidades profissionais que correspondem ao perfil que procuram”.

Menciona as razões porque te candidatas. Explica porque gostarias de desenvolver competências na área a que te candidatas. Se souberes para que empresa te estás a candidatar, não te esqueças de mostrar que a conheces. Será sempre um ponto a teu favor.

Não te alongues. Os recrutadores não perdem muito tempo com a leitura da carta de apresentação. Para ser eficaz é necessário ser conciso. A carta deve ser curta e sem informação desnecessária. Três a quatro parágrafos são suficientes. As frases curtas e simples interpelam o leitor e transmitem uma imagem dinâmica.

Não exageres nem te desvalorizes e,  sobretudo… não mintas. Responde sempre pela positiva. Não digas, por exemplo, que não tens experiência em determinada área. Evidencia antes as tuas qualidades com objectividade sem demasiado sentido crítico. Podes sempre referir que gostas de novos desafios e que te adaptas com facilidade. A mentira acaba sempre por ser descoberta e não te beneficiaria.

Valem as mesmas regras para e-mail. Hoje há uma parte significativa dos currículos que seguem por e-mail e por isso as cartas transformaram-se em e-mails. Apesar do suporte ser diferente, as regras mantêm-se.

De que é que o Faz+ é feito?

Como qualquer projecto de natureza académica, o Faz+ sofreu influências de outros projectos já existentes, e neste caso específico, uma forte influência da sua parceria institucional, a NOVA Entrepreneurship Society. Serve este post para apresentar essas referências, que ajudam a contextualizar o projecto no panorama actual.

NOVA Entrepreneurship Society

A NOVA Entrepreneurship Society é uma organização sem fins lucrativos, fundada e gerida por estudantes universitários. Pretende estimular e formar os jovens para o empreendedorismo, incentivando-os a desenvolver uma atitude pro-activa e consciente.

“A Visão do NES é estabelecer-se como uma plataforma de criação de startups sustentáveis e competitivas, por alunos da UNL de formação académica complementar, e assim posicionar a NOVA como um centro de excelência na área do Empreendedorismo.

Os seus objectivos estão centrados na criação de Networking entre empreendedores de diversas formações académicas, promoção do Empreendedorismo entre a comunidade da NOVA, oferecer suporte às Startups e projectos dos membros do clube, e tirar vantagem do know-how dos membros mais experientes e Consultores.”

 

A génese do Faz+ deu-se no seguimento de um trabalho de projecto sobre empreendedorismo social, pelo que a aproximação à NES fez todo o sentido. Existe também a preocupação comum com o desenvolvimento de uma atitude pro-activa por parte da comunidade. Para além disso, o carácter pedagógico da NES—trata-se, mais do que tudo, de um clube universitário—reforça essa natureza pedagógica do Faz+.

 

Human Centered DesignO Human-Centered Design, ou Design Antropocêntrico, surge como referência metodológica para este projecto na medida em que se pretende que exista uma metodologia de concretização equiparável à metodologia projectual em design, e sempre com um foco de concentração nos interesses sociais em causa. É também a fórmula em que a IDEO, outra das referências, aposta para desenvolver o ser trabalho.

“Human-centered design is a process that has been used for decades to create new solutions to design challenges. The process helps people hear the needs of the people and communities they’re designing for, create innovative approaches to meet these needs, and deliver solutions that work in specific cultural and economic contexts. Centered in optimism and embracing constraints and complexity, the HCD process helps users ask the right questions. Ultimately, it can increase the speed and effectiveness of implementing solutions that have an impact on the lives of the people these solutions were designed for.”

 

A este projecto, o Faz+ vai beber a metodologia, a forma de agir. A organização em três passos, Ver, Aprender e Fazer, são também equivalentes aos passos do HCD.

 

OpenIDEOThe world in 2012 faces a stark reality; out of a global labour force of 3.3 billion, 200 million are unemployed. The situation is especially desperate for young people – 75 million are unemployed globally and, within the UK, over a million 16 to 24 year olds are currently looking for work. These dim prospects for youth sow the seeds for disengagement and apathy, continued social unrest and a challenging global economy.

Clearly, there are gaps: gaps between demand and supply; gaps in skills; gaps between geographies and gaps between opportunities and outcomes that all need addressing urgently. Nonetheless, despite these challenges, there are still reasons to be optimistic.

 

Trata-se de mais um projecto da IDEO. Desta vez, uma plataforma de inovação, na qual o projecto acima descrito se desenvolveu. Foi um desafio de natureza semelhante ao Faz+, e serviu de case study.

 

Design Thinking for EducatorsDesign Thinking is a mindset.
Design Thinking is the confidence that everyone can be part of creating a more desirable future, and a process to take action when faced with a difficult challenge. That kind of optimism is well needed in education.
Classrooms and schools across the world are facing design challenges every single day, from teacher feedback systems to daily schedules. Wherever they fall on the spectrum of scale—the challenges educators are confronted with are real, complex, and varied. And as such, they require new perspectives, new tools, and new approaches. Design Thinking is one of them.

 

Mais um projecto da IDEO. O Design Thinking for Educators é um desafio a professores de todas as salas de aula do mundo, para que utilizem o chamado design thinking method para dar as suas aulas e organizar a sua sala de aula. Uma vez que, no nosso dia-a-dia, nos deparamos com problemas de várias naturezas, o design thinking deve ser utilizado como método de resposta a esses problemas, e ensinado nas escolas, para que, desde cedo, se desenvolvam capacidades de pensamento inovador.
Mais uma vez, este foi um dos projectos que influenciou o Faz+ pela sua vertente pedagógica, mas também pela questão do design thinking em si, do qual voltaremos a falar nesta plataforma.

 

Sapana e Jagruthi MoovSapana é a palavra hindu para “sonho”. É assim que surge esta startup que se caracteriza como uma organização não-governamental cujo objectivo será promover acções de empowerment para comunidades, através de soluções inovadoras para a solução dos problemas que essas comunidades vivam. Para além do seu trabalho junto das pessoas, a Sapana também actua junto de empresas e organizações que estejam interessadas em melhorar ou optimizar o seu impacto a nível social. O mote desta organização é “We develop projects that we love and we do it with passion”.

Sobre a motivação que os leva a desenvolver este projecto, os fundadores da Sapana dizem:

Sometimes people need a push. No matter where. In countries like Portugal (our home country), young people are struggling with a serious unemployment problem, but in countries like India there are other problems such as serious gender equality issues that delay people’s lives. But everyone has qualities, skills and passions. They just need a push! The same applies to organizations. A large percentage of NGO ‘s, mainly in developing countries, despite having strong capacity, goals, funds and motivated teams, they suffer from basic structural failures that prevent them to achieve the desired impact in the community they are willing and can achieve.

SAPANA is focused on facing and correcting these failures, giving basic tools on economics, social, interpersonal, management and sustainability areas. Both for people and for social organizations.

 

Foi neste contexto que surgiu o Jagruthi Moov, o seu mais recente projecto.
O Jagruthi Moov—”Jagruthi” quer dizer “transformação”—tem por objectivo ser um movimento de sensibilização sobre temas da actualidade, especialmente junto do público jovem. A ideia é identificar os problemas com que as comunidades vivem e propor soluções eficazes e inovadoras. O primeiro problema tratado pelo Jagruthi Moov é o problema do desemprego jovem, uma realidade cada vez mais sentida em Portugal.

Este projecto está dividido em três fases: “Awake”, “Learn” e “Do”. Estes três momentos servem para guiar o público pelos passos a tomar para desenvolver um espírito pro-activo e empreendedor: primeiro, tomar consciência daquilo que pode ser feito para melhorar a comunidade em que se inserem; depois, aprender as ferramentas que pode usar para desenvolver essa atitude empreendedora; e por último, munir-se de recursos para levar projectos ou ideias para a frente.

Inicialmente, o Faz+ surgiu de um contacto próximo com o Jagruthi Moov. Tornou-se independente e ganhou a sua própria forma e percurso, mas a Sapana e o Jagruthi continuam a ser grandes referências, e muito do que é o Faz+, ganhou-o com o Jagruthi. Deste modo, é importante referi-los aqui, e ter em conta que sem eles o Faz+ não chegaria a ver a luz do dia.

 

So You Think You Can PitchO So You Think You Can Pitch é um concurso de pitches, ou seja, apresentações de ideias. A ideia é que cada candidato apresente o seu pitch, tanto para uma integração no mercado de trabalho existente como para uma ideia própria, potencialmente de criação de uma empresa.

Se te estás a perguntar sobre qual é a tua proposta de valor ao mercado e queres perceber o que podes fazer numa empresa, explorar novas oportunidades de carreira e novas formas de entrar em contacto com o mercado…

Se queres discutir a tua ideia e explorar novos ângulos de negócio com pessoas experientes, se estás à procura de parceiros ou investidores, se o que procuras são clientes para dar um empurrão à tua jovem empresa, inscreve-te!

 

No SYTYCP, os concorrentes não são apenas dirigidos para a vertente do empreendedorismo, mas também no sentido de aprenderem o que podem dar ao mercado de trabalho como empregados por conta de outrem. Interessa saber acrescentar valor ao mercado, seja em nome próprio ou integrado em empresas e projectos já existentes. A atitude do SYTYCP é precisamente a mesma que o Faz+ pretende transmitir ao seu público com esta plataforma.

E são estas as principais influências e referências para o Faz+. Conhece-os, inspira-te e prepara-te. Nos próximos dias virão os primeiros passos. Começaremos por “Ver”, muito em breve. Não te vais arrepender.

Bem-vindos

Eis o primeiro passo do Faz+.

As apresentações fazem-se rapidamente, uma vez que até há uma página (mesmo aqui em cima) especificamente para esse propósito, chamada “O que é o Faz+?”.

Este blog apresenta-se então como um dos braços da plataforma, da qual também existe a página de Facebook—da qual podes “gostar” aqui, na barra da direita—e existirá a publicação impressa, um manual do Faz+.

É importante referir que, aqui, nenhum de nós está 100% seguro. Como vais poder aprender, o Faz+ trata-se disso mesmo, arriscar e saber lidar com o erro, o risco e a coragem de agarrar o novo desafio. Este novo desafio.

Sê bem-vindo, e mais depressa do que chegaste, espero que consigas construir um caminho teu, por onde sigas (e persigas) o teu próprio sucesso.

Mariana.